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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Depois da Sociedade dos Poetas Mortos

Durante a Faculdade de Filosofia, há mais de uma década, o Professor de Filosofia da Educação (excelente professor) passou aos alunos o Filme “Sociedade dos Poetas Mortos”.
Após a exibição deste, alunos e professor iniciaram um caloroso debate acerca do filme; os presentes unânimes aprovaram os métodos do Personagem vivenciado por Robin Williams.
Assim, os futuros professores da Nobre Ciência se propunham a dar continuidade aos ensinamentos da Sociedade dos Poetas Mortos; seriamos, então, novos “Meu Capitão”!

Último ano de faculdade

Nós estudávamos com o intuito de “Libertar as Mentes” de nossos futuros alunos; de apresentar lhes as causas da opressão; explicar lhes os conceitos de Mais-Valia, Alienação, etc.
Éramos, sem saber, autênticos iluministas, ou seja, acreditávamos que através do esclarecimento (das luzes!) conseguiríamos desenvolver o Senso Crítico e desencadear o processo de revolução.

No Mundo das Nuvens

Uma das maiores finalidades da Filosofia é ajudar o ser humano descobrir (descortinar) a realidade no seu todo e a abandonar as ilusões acerca desta.
Porém, a Filosofia, com seus complexos sistemas de pensamento, pode fazer com que o desavisado-estudante de Filosofia se perca em meio a “Castelos de Areia”.
Assim, aqueles que deveriam conhecer e mudar a realidade, se tornaram, muitas vezes, em construtores de “Não-Mundos”, não no sentido Dialético, mas Metafísico.

Choque com a Realidade

Nós, mergulhados na ilusão, sonhávamos em encontrar uma sala de aula cheia de alunos “alienados” “quietos (no máximo com uma bagunça suportável)” e “reprimidos” devido à repressão dos aparelhos capitalista (Mais ou menos como era a sala de aula no filme Sociedade dos Poetas Mortos).
E diante desta realidade os Nobres Professores, em um passe de mágica... Puh! Converteríamos “os Maria-vai-com-as-outras” em alunos sedentos do desejo de saber.
Iniciaríamos as aulas, com o Manifesto em mãos e após explicar lhes o sentido de “Um espectro ronda a Europa...”, todos se tornariam grandes socialistas.
Afinal, o que lhes faltava, em nossa errônea ilusão, era alguém que os apresentassem “As Verdades” escondidas pelos meios de comunicação de massa.

Resultado: ... Professores desmotivados, abandonando o magistério ou ministrando aulas apenas pelo dinheiro. E o que é pior: Alunos odiando a Filosofia.

Sartre

Certa vez, eu li um texto, acho que era de Sartre.
Sartre estava em uma biblioteca, estudando, quando percebeu que não sabia nada da realidade, a única coisa que conhecia era o que dizia os livros.
Então, o Filosofo é tomado de uma grande angustia e decide conhecer o Mundo Real.
O Sentimento de Sartre, é compartilhado por muitos neo-educadores que depois do choque com a Realidade, percebem que quase nada conhecem sobre a Real Situação Educacional.
Porém, o Professor é vocacionado a Educar e educar para um MUNDO MELHOR.

Dificuldade

Nenhum livro explica ou ensina as formas de uma educação transformadora, nem mesmo o grande Mestre Paulo Freire, o máximo que ele e outros podem nos fornecer são pistas teóricas para nossa prática.
Para educarmos, precisamos mergulhar no universo de nossos alunos, perceber todas as suas contradições, frustrações e sonhos.
Mas, para tal, temos que sair de nossa “cátedra” e ir ao encontro dos educandos, descobrir como funciona seu mundo simbólico. E, somente, conseguiremos se estivermos juntos, sorrindo e chorando com eles.