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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Ao meu grande amigo

Wilson Horvath

Olá, meu velho amigo, que devido à insaciedade de Cronos, está se tornando um amigo velho.
Como nossa vida é efêmera!? Em um piscar de olhos, já passou... E não há como voltar atrás.
Nós somos jogados no mundo. Não pedimos para nascer e, muito menos, queremos deixá-lo.
Mas, infelizmente ou felizmente, nós morreremos! Do pó que fomos criados, voltaremos a ser.
Nesta curta existência, nós vamos traçando nossa essência.
E, no acaso da vida, encontramos pessoas, que marcam nossas vidas e por nós são marcadas.
Elas nos ajudam a escrever nossa história, e, ao mesmo tempo, são parte de nossa biografia.
Eu tive a felicidade de encontrá-lo, meu amigo!
Quantas coisas boas, fizemos juntos!? As lindas meninas que paquerávamos!
As vaquinhas para comprar cerveja; o churrasco na laje; os cigarros compartilhados; o campeonato de truco, em que fomos campeões!
Eu preciso confessar: eu sou o que sou, em grande parte, por causa de você.
Você sempre enxergou mais longe, o que abriu meus horizontes.
Nós construíamos e compartilhávamos os sonhos, que mudariam a ordem das coisas.
Alimentaríamos os famintos; socorreríamos os doentes; educaríamos as crianças; abrigaríamos os sem-teto.
Modificaríamos a política; corrigiríamos a lei; desalienaríamos a religião.
E faríamos a tão sonhada revolução!
O tempo passou... Nós envelhecemos, adquirimos conhecimento e experiência.
E o que fizemos? Nada! Ou praticamente nada diante de tudo o que aspirávamos.
E talvez, nos tornamos tão rabugentos, conservadores e ávidos por dinheiro como aqueles, que outrora criticávamos.
Que pena! Por que desistimos de nossos sonhos e de sonhar? Por que escolhemos trilhar estes caminhos e não aqueles?
Se a vida é tão curta, por que optamos por fazer aquilo que detestávamos?
Será que foi devido ao fato de termos nos separado?
Pode ser! Talvez, se estivéssemos juntos, um não permitiria que o outro se perdesse em desejos inúteis e sem sentido.
É, meu grande amigo! Eu tenho saudades... Saudades de sentir que eu poderia fazer a diferença.
E também tenho saudades de você...
Será que não conseguimos, por um único dia, deixar de fazer a inutilidade de sempre, que fingimos ser importante, e nos encontrar?
Nós beberemos um bom vinho, daremos algumas risadas, contaremos o que fizemos.
E, quiçá, voltaremos a sonhar e construir sonhos!