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sábado, 2 de julho de 2011

Espelho de Deus

Wilson Horvath 





1 Deus...
O maior de todos os mistérios...
Quem és Tu?
2 Se existes;
por que não te revelas
de forma compreensível
para a limitada mente humana?
3 Se não existes.
Então, de onde viemos?
Quem ou o que criou
o átomo inicial
do qual originou
tudo o que há?
4 Mas, se existes;
por que do sofrimento?
O Mal não pode ser
a ausência de Bem,
contrariando a afirmação
do maior de todos os teólogos.
5 Pois se existires;
não pode haver
um único lugar sequer,
que não conte
com tua presença,
inclusive no Mal.
6 Se aqui estás;
participas de tudo
o que é humano.
E a humanidade está
mergulhada em teu Ser.
7 Mas, diante de tamanha proximidade,
o que atrapalha
nossa comunicação?

8 Tua onipotência deve
ultrapassar os ruídos,
sejam eles
criados por nós
ou por Ti,
ao fazer-nos limitados.
9 E a nossa limitação
nos torna incompletos,
o que nos abre
para a infinitude,
na busca, sem fim,
pela completude.
10 Como podemos
nos encontrar?
Onde,
encontraremos as respostas?
11 Faz-se necessário
superar as barreiras
da comunicação.
12 Talvez, devêssemos
procurar nos encontrar
em lugares inusitados,
ainda não contaminados,
puros de falsas imagens.
13 Nos livros sagrados?
Não pode ser,
pois há pessoas,
que não sabem ler.
14 E há aqueles,
que impõem a sua interpretação,
em especial,
os que dizem
que a interpretação é livre.
15 Nas igrejas, muito menos,
pois há tempo,
que estas deixaram
de Te procurar,
e arrogam o direito
de Te possuir.
16 Por meio de teu Espírito,
também não.
Pois talvez,
eu confunda a Ruah[1]
com minhas fantasias
e projeções.
17 A ciência,
a menor das formas de conhecimento,
é incapaz de enxergar um palmo
à frente do nariz.
Essa somente sabe
pesar, medir, calcular.
18 Resta-nos,
então, percorrermos
o caminho do profano.
19 Pois esse foi abandonado
há muito tempo pelos crentes.
Assim, para a reflexão teológica,
encontra-se quase em estado virginal.
20 E talvez, na mulher,
que Tu criaste,
a fim de me encantar.
Esteja a possibilidade
de nosso encontro.
21 Talvez, esteja nela
a revelação daquilo que é claro e evidente,
mas sou incapaz ou não quero
ver e entender.
22 Mulher de extrema beleza...
que transborda o teu Ser,
sem prejuízo ou aumento
de tua perfeição.
23 Não foi dessa forma,
que Tu criaste a humanidade?
Essa não fora criada
da emanação de teu Ser?
Sem que Tu
sofreste transformação?
24 Mulher graciosa,
e muito geniosa.
O que a torna, ao mesmo tempo:
a mais afagável das amantes,
e uma fera indomável.
25 Não é assim
que relacionas com a humanidade?
Tu não és extremamente amável,
mas encolerizas com ela,
ao pretender Te dominar?
26 Mulher repleta de atrativos,
cheiro sedutor,
gosto enfeitiçador.
27 Tu não és o Primeiro-Motor,
que impulsionas o movimento
e tracionas a criação para ti?
28 Mulher de fases,
proporciona-me os mais profundos orgasmos,
e expulsa-me de seu leito,
ao seu bel prazer.
29 A humanidade não participa de teu Ser,
e Dele está separada,
o que nos torna
arameus[2] em nossa própria terra?
30 Mulher forte,
mas extremamente sensível,
o que a faz enfrentar os desafios,
em meio às lágrimas.
31 Tu não te padeces
dos sofrimentos da humanidade?
E a tua onipotência se revela
na impotência dessa
no enfrentamento do mal?
32 Se assim for,
então, é ela
imagem e semelhança
de Tua pessoa,
o Espelho de Deus.


[1] Ruah é uma palavra hebraica que indica sopro de vida, vento, o movimento do ar, hálito, o espírito. Nas escrituras hebraicas, “ruah elohim” é o vento criativo de Deus.
[2] Relativo aos arameus, semitas nômades da Síria e da alta Mesopotâmia. Aqueles que não têm a posse da terra e vagam atrás de comida, moradia etc.