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sábado, 9 de agosto de 2014

Concepção Clássica de Poder

Wilson Horvath

 


         Embora o conceito de política seja renegado e visto com maus olhos por boa parte da população brasileira, o agir político está presente em todas as atividades cotidianas, mesmo que não tenhamos consciência desse processo.
Podemos dizer que onde houver duas ou mais pessoas se estabelecerá entre eles uma ação política. E dela surgirá necessariamente uma relação de poder.
Mas “O que é o Poder?” Vejamos as posições dadas por Hobbes e Russell. Para o primeiro, o poder é "consistente nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem". E para Russell, ele é definido como "conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados".
Nessa perspectiva, o poder é entendido a partir de uma concepção teleológica, ou seja, ele visa um fim, que trará benefícios para um indivíduo ou para um grupo.
E como vivemos em coletividade, para atingi-lo, uma pessoa precisa ou convencer, ou controlar, ou se impor a uma outra. Assim, os meios de estabelecer o poder se dará de acordo com as regras de convivência (política) vivenciadas por eles.
Essa concepção de poder vista como forma de “extrair alguma vantagem” ou de “se obter os efeitos desejados” não é a priori nem boa nem má. A sua valoração dependerá daquilo que se quer conseguir. Para clarear, citemos alguns exemplos:
Uma mulher usando o encantamento de sua beleza (poder) pode convencer seu marido a não gastar a maior parte do dinheiro na boemia, mas no sustento de sua família; uma professora amante do saber faz os alunos apaixonarem pelo conhecimento; Um bom médico persuade o seu paciente a parar de fumar e a fazer exercícios físicos.
Todos esses exemplos são formas de poder que uma pessoa exerceu sobre outra. Eles tratam do campo de relações pessoais, mas podemos estendê-los ao âmbito estatal. Assim, o político que convence os seus pares a destinarem mais recursos públicos para a promoção social, educação, saúde também está desempenhando poder.

O poder, obviamente, pode ser usado para o mal. Assim, a força física pode ser usada tanto por um marido monstruoso como pelo estado ditatorial; um professor pode impor seu modo de pensar da mesma forma que a elite usa os meios de comunicação em massa; um médico sem ética para se enriquecer com a comissão paga pelos grandes laboratórios impõe um remédio mais caro como os maus políticos desviam para os bolsos deles as verbas da saúde pública.