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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Critica a Filosofia Moderna, a partir do Pensamento Complexo

Navegar é preciso; viver não é preciso (Fernando Pessoa).

Nós introduzimos a reflexão sobre Filosofia Moderna a partir deste pequeno em tamanho, gigante em significado, verso de Fernando Pessoa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. Como toda a obra clássica, ele nos sugere várias interpretações e significados que se entrelaçam concomitantemente.
A primeira interpretação é que: este verso fora retirado da inscrição do pórtico da Escola de Sagres, escola de navegadores, situada em um pequena e bucólica cidade de Portugal, em que, queria passar aos jovens marujos, que viver na melanconia daquela cidade não era vida ou uma vida digna de ser vivida; a verdadeira vida estava nos desafios e nas aventuras e proporcionadas pelos descobrimentos e navegações.
A segunda interpretação, que vai ao encontro da primeira, é que não é preciso viver, pois vivemos, a vida já nos fora, de alguma forma, dada. O que é preciso é torná-la significativa.
A terceira interpretação, faz uma crítica ao pensamento moderno. Os navegadores de Sagres faziam uso da bússola, este recente, para época, aparelho auxiliava os marujos a chegar com precisão ao local de destino. Enquanto que, infelizmente ou felizmente, a vida não tem uma bússola que nos mostre as coordenadas por onde devemos caminhar. Assim, viver não é preciso, ou seja, não há como prever, predeterminar. Encontramos a explicação deste verso em outro grande poeta: “Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar” (Antônio Machado).
O pensamento moderno com sua ciência e técnica pretendeu e pretende coordenar toda a atividade no globo terrestre, seja em relação a natureza, seja na relação do ser humano com o outro, até a relação com o transcendente. Assim, tudo deve passar pelo viés da racionalidade moderna que pré-determina o que é correto e cientificamente comprovado e o que é errado, por não ser científico, ou seja, por ser folclórico ou mitológico.
O pensamento moderno surgiu com uma nobre missão: libertar o ser humano das amaras dogmáticas da Igreja Católica; e dar a ele: as rédeas para controlar a sua vida. Porém, os Filósofos modernos ao combater a tirania do pensamento único-católico, entregaram o ser humano a tirania de uma outra forma de pensar, que segundo Edgar Morin é movimentada por quatro motores: científicos/técnicos/industriais/capitalistas. Estes quatro motores está pondo em risco a continuidade da vida humana, animal e vegetal no globo terrestre (1997, p. 120).
Nós, neste início de terceiro milênio, para garantirmos a sobrevivência da espécie humana, como toda a vida no planeta, temos que corrigir estas imperfeições oriundas do pensamento moderno. Não se trata, pois, de negar os avanços do pesamento moderno e procurar impregnar ao ser humano, novamente, a mentalidade medieval. Primeiro, porque, o pensamento medieval dentre seus vários acertos, apresentava falhas, sendo algumas destas corrigidas pelos modernos, e, mesmo se quissemos, é impossível voltarmos atrás. Segundo, porque os modernos trouxeram vários avanços a humanidade, que não podem serem desprezados. Assim, o que devemos fazer é dar continuidade as suas labutas intelectuais, corrigindo aquilo que eles, em sua época, não conseguiram perceber ou não era apresentado como problema. E tendo em mente, que ao fazê-lo criaremos novos problemas que serão postergados a humanidade. Mas, não podemos sucumbir de nossa responsabilidade, temos que resolver os problemas que nossa humildade consciência consegue, hoje, enxergar. Assim, caminha a humanidade, numa dança ad aeternun entre o certo e o errado, entre as forças de morte e a pulsão pela vida.
A mitologia grega pode nos ajudar a entender esta dinâmica: Zeus engana seus dois irmãos Hades e Poseidon, conduzindo o primeiro as profundezas da terra e o segundo aos mares, tornando, assim, senhor absoluto do céu (Olímpio). Hades elabora um plano para a destruição de Zeus, fazendo-o pensar que iria fazer a humanidade voltar a adorá-lo e, com isto, fortalecer a Zeus com as orações da humanidade. Hades consegue a permissão de Zeus, para por em prática seu plano, porém, ele amedronta a humanidade o que ao invés de aumentar o poder de Zeus, aumenta o seu e, ao mesmo, tempo enfraquece a Zeus. Hades convence seu outro irmão Poseidon, a colaborar em seu plano, este que envia Kraken, um mostro marinho tem a missão de destruir a humanidade. O único que pode salvar a humanidade é Perseu, mas para tal, o herói precisa da cabeça da górgona Medusa, pois, ela tem o poder de transformar todos aqueles que olham diretamente para ela em pedra. Perseu para não ser transformado em pedra, enfrenta a Medusa, olhando a imagem dela refletida em seu escudo, com isto, Perseu corta a cabeça de Medusa e com ela destrói o monstro marinho.
Esta é a condição humana, na qual, não podemos esquecer, ao enfrentarmos os problemas deixando pelo pensamento moderno. Nós, enquanto Homo Sapiens-Demens temos a missão de salvar a humanidade, onde o nosso principal inimigo, seguindo a reflexão de Hobbes é o próprio humano, ou homo homini lupus. E ao faze-la, nós não teremos uma clarevidência da realidade, conseguimos, como Perseu, apenas vê-la refletida e, muitas vezes, esta reflexão é distorcida e embasada, mas, mesmo assim, é a única forma de enfrentarmos os desafios que nos são apresentados, o que na atualidade são oriundos do modo de pensar ou paradigma moderno.