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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Distinção entre o Objeto de Pesquisa e o Referencial Teórico

Wilson Horvath

O Objeto de Pesquisa, como o próprio nome indica é aquilo que queremos conhecer e estudar.
E o Referencial Teórico são as categorias de analise que usamos para estudar esse objeto. Essas categorias não são criadas por nós, nos utilizamos categorias elaboradas por outros autores para analisar, julgar, criticar e nos posicionar frente ao objeto de estudo.

Se a pesquisa for de campo é fácil a distinção entre ele e o referencial teórico. Por exemplo: O objeto de estudo é as aulas de matemática, na quinta série, de uma escola particular da cidade de São Paulo. E seu referencial teórico são os conceitos de “Educação Bancária” e “Educação Problematizadora ” elaborados por Paulo Freire.
Então, o Objeto de Estudo (as aulas de matemática) será analisado a partir das categorias de analise de seu Referencial Teórico. É ele que possibilitará a você se posicionar frente ao Objeto de Estudo.

O mesmo vale se o Objeto de Estudo for teórico, exemplo: Você pode estudar Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental que versam sobre Matemática ou o objeto pode ser um Autor que trabalha Matemática para a quinta série.
E o Referencial Teórico continua o mesmo: os conceitos de “Educação Bancária” e “Educação Problematizadora” elaborados por Paulo Freire. Nestes dois casos, você analisará, assim como no objeto empírico, se os textos possuem uma concepção bancaria ou problematizadora de educação.

Observação: As conclusões da Pesquisa dependerão do Referencial Teórico usado. Por exemplo, se ao invés de Paulo Freire, você usasse um Referencial Teórico que visa uma educação exclusiva para o vestibular. A sua analise e conclusão serão totalmente diferentes da analise freiriana.
Por isso, você não pode misturar os referenciais teóricos, pois se não sua analise será superficial e não conclusiva.

Notas

Educação Bancaria: Em lugar de comunicar-se, o educador faz “comunicados” e depósitos que os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem. Eis aí a concepção “bancária” da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los. Margem para serem colecionadores ou fichadores das coisas que arquivam. No fundo, porém, os grandes arquivados são os homens, nesta (na melhor das hipóteses) equivocada concepção “bancária” da educação. Arquivados, porque, fora da busca, fora da práxis, os homens não podem ser. Educador e educandos se arquivam na medida em que, nesta distorcida visão da educação, não há criatividade, não há transformação, não há saber. Só existe saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros. (FREIRE, 1987, p. 33)

Educação Libertadora: A educação libertadora, problematizadora, já não pode ser o ato de depositar, ou de narrar, ou de transferir, ou de transmitir “conhecimentos” e valores aos educandos, meros pacientes, à maneira da educação “bancária”, mas um ato cognoscente. Como situação gnosiológica, em que o objeto cognoscível, em lugar de ser o término do ato cognoscente de um sujeito, é o mediatizador de sujeitos cognoscentes, educador, de um lado, educandos de outro, a educação problematizadora coloca, desde logo, a exigência da superação da contradição educador-educandos. Sem esta não é possível a relação dialógica, indispensável à cognoscibilidade dos sujeitos cognoscentes, em torno do
mesmo objeto cognoscível. (FREIRE, 1987, p. 39)


Referência Bibliográfica

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 17 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.