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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Nossa...! Cadê os professores?


Prof. Wilson Horvath

A imprensa, nos últimos dias, está veiculando uma série de reportagens sobre várias escolas públicas do Estado São Paulo, nas quais faltam professores para diversas disciplinas. Há escolas, onde os alunos que deveriam ter seis aulas por dia só têm uma ou duas aulas; e há casos, em que os alunos vão à escola e voltam para suas casas, sem uma aula sequer.
Pois, simplesmente, não tem professores!
É claro que a imprensa marrom não diz quais são as causas da falta de professores.
Há muito tempo, que essa imprensa culpabiliza o professor pela decadência do ensino. É sempre o professor que não sabe ensinar; é o professor que não tem paciência; é o professor que não se atualiza etc.
Agora, porém, não dá para culpabilizar o professor, afinal, não tem professor! Como ela irá por a culpa nele?
Então, a impressa sai a “caça às bruxas”. A primeira a ser culpada, então, é a diretora da escola, sendo que essa que não tem o poder de contratar professores. Os professores são contratados e designados por meio das Diretorias de Ensino.
Até as inspetoras de alunos são chamadas a dar esclarecimentos sobre o fato. E se essas senhoras não falam, pois não são elas as porta-vozes da Secretária de Educação e se falarem algo do que não sabem, essas podem sofrer punições. Então, elas sofrem represálias dos reportes furiosos, além de terem sua imagem exibida de forma constrangedora, e sem sua autorização.
Mas, cadê os professores? Por que eles não estão nas salas de aula? Será que eles acertaram na megasena e foram para o Caribe de férias?
Não tem professores, pois eles não aguentam mais tanta humilhação. O professor é tratado como um sub-humano pelos órgãos do governo paulista.
A humilhação começa na atribuição de aulas, professores esperam o dia todo serem chamados para escolherem aulas, e muitos saem sem conseguir uma aula sequer, tendo que voltar ao local de atribuição uma ou mais vezes.
O Governo não respeita os professores e incute isso nas cabeças de dirigentes de ensino, supervisores etc. Esses, em geral, se voltam furiosos contra os professores, que em sua concepção é um quase ninguém, exigindo que o professor faça milagres nas escolas.
Na concepção do governo, o problema é sempre o professor. O governo Serra, por exemplo, resolveu criar um curso on-line para capacitar os professores, antes que esses assumissem os cargos efetivos. Na concepção de Serra e seus assessores, esse curso seria a “salvação”. Ele ensinaria e capacitaria os professores para executar a nobre tarefa. E o governo pagou para os professores fazerem o curso.
Sabe o que aconteceu? Muitos professores, mas muitos mesmo! fizeram o cursinho, ou melhor, acessaram o site, minimizaram a tela, receberam do governo e... não assumiram as aulas. Ou seja, dinheiro público jogado fora, esse que poderia ser usado na melhoria do ensino. E ninguém questiona. O governo desperdiça dinheiro, em sua obsessão doentia de mostrar que o professor não sabe ensinar. E fica por isso mesmo, nenhuma reportagem sobre o fato, nenhum pedido de satisfação por parte da sociedade civil. Nada!
A política de bônus também é outra causa de afastamento dos professores. Essa que gera inimizade entre os agentes da educação, rivalidade e cobranças, em especial, daqueles que não estão em sala de aula e, por isso mesmo, é mais fácil cobrar, atacar e falar um monte de demagogias, oriundas da Secretária de Ensino.
A política de bônus é o fim da educação, pois educação não se mede com régua e ela esconde vários problemas. As escolas premiadas com o bônus são aquelas que saem melhor em algumas avaliações, que só Deus sabe como funciona a matemática dessa política meritocratica. Mas, não deveria ser exatamente o contrário? As escolas com um desempenho menor não deveriam receber maiores investimentos? Não é lá que encontram os maiores desafios?
E por que, ao invés, de bônus, não aumenta o salário real dos professores? Os professores não sentiriam mais motivados para trabalhar, tendo a certeza que receberiam o seu salário? O bônus ninguém sabe se receberá ou não e esse bônus pode ser tão irrisório que dá até vergonha de falar.
As escolas apresentam grandes problemas, desde a violência e o tráfico de drogas que ronda as escolas a salas de aula lotadas. O Estado superlota salas de aula ao máximo, as salas de aula possuem de quarenta a cinquenta alunos.
Como o professor pode desenvolver um bom trabalho nessas condições? Como dar a atenção necessária a cada aluno, pois cada aluno tem necessidades especificas? Muitas vezes, o professor não consegue nem fazer a chamada devido à bagunça.
A culpa também não é dos alunos. Esses, assim como o professor, são desrespeitados. O mundo atual exige uma nova forma de educação, ela tem que ser feita em resposta à problemática atual, essa gigantesca.
E para começar a pensar em soluções, a primeira medida tem que ser a diminuição de alunos por sala de aula. Nós devemos usar para tal, o exemplo bíblico. Jesus teve quantos discípulos? Doze! E ainda assim, mesmo sendo Jesus o professor, um deles o traiu e outro o negou. Se Jesus teve esses problemas pedagógicos, o que dirá de um professor com cinquenta alunos, em sala?!
O salário dos professores é péssimo! Mal dá para suprir as suas necessidades básicas, o que dirá de sua família? Isso faz tempo, um longo tempo que os professores falam, mas, infelizmente, não são ouvidos. Ao contrário, são reprimidos violentamente pela polícia, esses que nos batem sem dó e piedade. O bulem (bullying) nas escolas começa, portanto, com a violência da polícia contra os professores.
O governo nos trata com desrespeito e a sua polícia age como se nós fossemos criminosos. Não é? Se não for, por que dos tapas na cara, socos, pontapés, cacetadas etc., em nossas greves? A greve não é um direito previsto na Constituição Federal?
Todos esses fatores (qualidade de ensino e salário) que levam a educação ao caos não são novos. Só que agora, eles chegaram ao limite e ninguém mais os aguentam.
Os professores, infelizmente, estão abandonando o magistério e buscando outras profissões. Afinal, eles têm que sustentar a sua família e não podem gastar o pequeno salário com remédios contra a depressão e o estresse causados em virtude da péssima qualidade de trabalho.
Qualquer cargo público que exige somente o Segundo Grau e não está ligado à educação, paga mais que o misero salário dos professores. Além dos cargos públicos, outras profissões também pagam mais e têm mais qualidade de trabalho.
Assim, uma pedagoga, por exemplo, pode trabalhar de babá, o salário dessas é uns 2.000 reais, para quem tem o Ensino Médio. A professora, com seus conhecimentos pedagógicos, pode ter o salário dobrado. E aí sim, ela poderia por em prática, seus conhecimentos teóricos de Piaget e Vygotsky.
Os professores podem se tornarem pedreiros e receber um salário por volta de uns 2.500 reais, mas com seus conhecimentos teóricos, ele pode em curto período se tornar um encarregado de pedreiros e, neste caso, dobrar o ordenado. E sem provas para corrigir nem aulas para preparar.
Não é que essas profissões ganham muito, é que nós professores recebemos pouco! Muito pouco! Além de sermos totalmente desrespeitados! O salário que um professor recebe, em inicio de carreira, com jornada de trabalho completa, incluindo os benefícios, é de R$ 1.665,05, menos de três salários mínimos.
Bom! Agora, nós sabemos o porquê da falta de professores. O que faremos? Cruzaremos os braços, como sempre? Deixaremos a educação como está? Ou lutaremos para melhorá-la?
Nós professores sozinhos não conseguiremos fazer a mudança, como foi dito, nós somos tratados com a total falta de respeito e somos reprimidos de forma violenta, ao ousarmos falar.
Nós precisamos da ajuda da sociedade. É preciso que essa se conscientize da realidade da educação e se junte a nós. Não somos só nós professores que sofremos com a má política de ensino, todos sofrem, em especial, os alunos. Esses que agora nem aula estão tendo.
Ou mudamos ou voltaremos ao período, em que só os filhos daqueles que tinham dinheiro estudavam. E nesse caso, tanto o país deixará de crescer como os nossos filhos não terão o Direito à Educação.
A escolha é sua! O que você fará?






Infelizmente, os problemas relativos à educação não são exclusividade do Estado de São Paulo, mas de todo o País, o que necessita uma ação maior e em conjunto da Sociedade Civil a fim de que possamos sanar os problemas. 
Para exemplificar esses problemas educacionais, em âmbito nacional. Segue o depoimento da Professora Amanda Gurgel: