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sábado, 28 de janeiro de 2012

A barbárie de Pinheirinho: o prelúdio do Fim anunciado para 2012


Wilson Horvath

Os Maias profetizaram para o dia 21 de dezembro de 2012 o fim de um ciclo, correspondente ao modelo de civilização que conhecemos, a partir de uma nova sincronização do Sol em relação à Galáxia. Esse novo posicionamento do Sol provocará diferentes explosões solares e emitirá à Terra raios e ondas solares distintas das emitidas no atual ciclo.
O atual ciclo solar, iniciado por volta do ano 3113 a.C., com duração de 5.125 anos, corresponde ao Quinto Ciclo do Sol. Esse ciclo foi marcado por ondas solares que provocaram no ser humano o medo e o ódio.
O Sexto Ciclo, que se iniciará em 22 de dezembro de 2012, emitirá novas ondas, que tenderão gerar mais harmonia e amor. E fomentarão mudanças decisivas no planeta e no ser humano, o que ocasionará a destruição da velha ordem social e a recriação de um novo modelo de humanidade.
O leitor mais cético pode achar balela a previsão do povo mesoamericano-pré-colombiano e tomar este texto como mais uma crendice que circula pela internet. Mas antes de descartar as previsões maias, paremos um pouco para refletir.

A Lua, nosso satélite natural, por exemplo, exerce uma enorme influência tanto na natureza como no ser humano, a começar pelo nível das marés, pela força exercida na agricultura; as fases lunares implicam diretamente no crescimento dos cabelos e unhas, no ciclo menstrual e a Lua influência até no nascimento de bebês, sendo o maior número de partos na Lua Cheia ou nos dias de virada de fase. E de acordo com os poetas e os apaixonados, a Lua Cheia aumenta a nossa libido, o amor etc.
O Sol é o responsável direto pela vida em nosso planeta, só há vida devido aos raios solares. Por isso, é de se supor que ele também exerça influências diretas em nosso modo de viver e comportar. E, talvez, devido ao seu tamanho e importância, maiores que as lunares.
Nós aprendemos a pensar o mundo e a realidade a partir de um único referencial, o modo científico. Assim, geralmente, só damos credibilidade àquilo que pode ser medido, pesado, comparado. Mas, a ciência é limitada pelo seu próprio alcance epistemológico. E tudo aquilo que não pode ser analisado permanece como um mistério para nós.
O Quinto Ciclo Solar, em que vivemos, coincidentemente ou não às previsões maias, foi marcado pela supremacia da espécie humana em relação às outras espécies. O ser humano não tendo mais um predador natural, se tornou predador de sua própria espécie e instaurou a exploração do homem pelo homem, a guerra de todos contra todos, como nos diz, Thomas Hobbes: Homo homini lupus (O homem é o lobo do homem).
O surgimento da propriedade privada nasce aproximadamente junto com o atual ciclo solar. Devido a ela, o ser humano passou a se preocupar excessivamente com suas posses em detrimento da preocupação com a propriedade familiar ou tribal. Ele desresponsabilizou-se  pela sobrevivência e pelo bem de seu clã e espécie para pensar apenas em si, atingindo, em muitos casos, o egoísmo pleno. Segundo Rousseau:

O primeiro homem que, após cercar um pedaço de terra, se lembrou de dizer: isto é meu, e encontrou pessoas inocentes o bastante para acreditarem nele, foi ele o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, quantas guerras, quantos assassinatos, quantas desgraças e horrores teria poupado para a espécie humana aquele que, arrancando as estacas ou atulhando o fosso, tivesse gritado aos seus semelhantes: guardai-vos de ouvir esse impostor; estais perdidos se vos esqueceis de que os frutos da terra pertencem igualmente a todos nós, e de que a própria terra é de ninguém! (Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens).

O ser humano é bom por natureza, de acordo com o filósofo suíço; porém a partir do momento em que houve o cercamento de um pedaço de terra, a sua bondade e inocência foram substituídas pela maldade e ganância. E esse modelo de civilização e de ser humano foi paulatinamente se impondo a todos os cantos do planeta.
A humanidade não se tornou capitalista da noite para o dia, mas passou por diversos processos de produção (Primitivo, Asiático, Escravista, Feudal, Capitalista, Comunista, Neoliberal) que se intercalaram até um que um sistema destruísse totalmente o outro. Assim, foi necessário mais de quatro mil e quinhentos anos até que o modelo europeu chegasse à América e destruísse a cultura, o modo de produzir indígena; dizimasse os povos que aqui estavam, cercasse a sua terra, os expulsasse dela, baseado na jurisprudência vigente.

A humanidade, uma vez estabelecido o modelo de produção, passou a destruir todo o que encontrou a sua volta, desde o semelhante aos animais e ao meio ambiente. Nós tornamos o vírus mortal do planeta, a maior praga apocalíptica. Nós tornamos nossas vidas e daqueles que nos rodeiam um mar de estresse, angustias, frustrações; matamos os rios, derrubamos as árvores, tornamos o ar irrespirável... Tudo em nome do lucro e da propriedade individual. E hoje, estamos colhendo os frutos da destruição e do acumulo de capital, nas grandes catástrofes promovidas pela fúria da natureza contra a ação humana, tais como: enchentes, alagamentos, desertificação, etc.
O ser humano, porém, está mudando o seu modo de pensar e agir. É evidente que esta mudança ainda em sua fase embrionária. Mas, também foi necessário um grande período de tempo para que a humanidade fosse tomada pelo pensamento destruidor.
Hoje, as pessoas apresentam uma maior preocupação com o meio ambiente, com os animais, com os seus semelhantes; questões ligadas à cor da pele, ao gênero e a orientação sexual são colocadas à mesa para a reflexão. Regimes ditatoriais de várias décadas estão desmoronando. Uma nova geração, sem o ranço socialista-stalinista, está nas ruas e nas redes sociais manifestando e conscientizando um maior número possível de pessoas.
As manifestações contrárias à barbárie realizada no Bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo, onde aproximadamente 1.500 famílias foram expulsas de suas casas, em um ato de extrema crueldade e desumanidade, sendo talvez o ato mais covarde contra um povo, realizado em nosso país, desde a colonização europeia, é um exemplo deste processo de tomada de consciência.
A população se revoltou contra ação do Estado; passeatas, comissos, protestos, trocas de informações, via internet, estão aumentando a todo o momento. A cada instante uma nova pessoa adere aos vários movimentos de reivindicação.
Se no início do Quinto Ciclo Solar, houve pessoas inocentes o suficiente para acreditar, conforme disse Rousseau, que a terra era daquele que a cercou; no prelúdio do Sexto Ciclo Solar parece que a coisa não é bem assim. O medo está sendo substituído pelo desejo de justiça; a resignação pela transformação; o ódio pelo amor.
Será os novos raios solares? Será que o ser humano está mudando? Será que um novo modelo de homem está nascendo? Ou será que a infraestrutura está gerando essa consciência?
É difícil saber, afinal, os maias que poderiam nos dar as respostas foram mortos pelo colonizador. A nós, resta, então, a esperança de transformação; o sonho com um novo mundo; a recusa da perda da esperança.
E se os novos raios solares ajudarem a criar um mundo melhor, que venha 22 de Dezembro. Nós estamos esperando e trabalhando para ajudar a se concretizar as vibrações positivas do Universo.
Que assim seja!