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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Piada do Dia: Dois professores em sala de aula

Wilson Horvath

Os meios de comunicação divulgam algumas matérias, em que ficamos sem saber o que fazer: se choramos ou caímos na gargalhada.
A última que ouvi foi que a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo colocará dois professores em sala de aula. Um titular e outro auxiliar. Porém, todavia, entretanto, isso somente vale se a sala de aula tiver mais de 25 alunos no primeiro ciclo e mais de 30 no segundo ciclo.

É amigo leitor! Somente nesses casos!
Antes de você e eu começarmos a rir. Umas perguntinhas básicas.


            Primeira: Onde o governo conseguirá professores? Se o Estado não consegue nem completar o quadro regular docente.
Se alguém achar que estou exagerando, basta fazer algumas poucas visitas às escolas públicas. Em muitas escolas, os alunos vão à escola e voltam para casa sem NENHUMA AULA!
Segunda: Existe uma classe de aula sequer que não tem mais de 30 alunos por sala? As salas de aulas estão abarrotadas de alunos, sem espaço físico que os comportem. Eu mesmo já dei aula para 46 alunos por sala. E há casos piores, salas com mais de 50 alunos... É claro que devemos levar em conta que toda regra tem a sua exceção, assim, pode ser que exista uma ou duas escolas públicas, talvez, em Alfaville, onde isso não ocorra.

Eu não tenho bola de cristal, mas aposto com quem quiser. Se o governo for pressionado e questionado. Ele dirá mais ou menos assim: Não são bem dois professores por sala, mas são um professor titular e um aluno de curso de licenciatura, blá-blá-blá...!
Só que o Picolé de Chuchu não sabe ou finge não saber é que grande parte dos professores da rede pública é composta de alunos de licenciatura. Logo, se os alunos são professores; quem serão os auxiliares?
            E mesmo assim, faltarão professores!
Essa proposta ou é engodo total! ou é mais uma ideia delirante para solucionar o caos da educação, que eles próprios criaram.  Ela só pode ser uma jogada de marketing, o governo sabendo que não haverão professores suficientes, apresenta essa proposta para minimizar o impacto na opinião pública devido a falta de professores!
A única coisa que o amigo leitor não pode pensar é que ela foi articulada sem critério, reuniões e estudo. Nada que vem desse governo, por mais imbecil e ilógico que possa nos parecer é feito ao acaso. Eles fazem tudo de errado! mas o errado deles é muito pensado.
O Supremo Tribunal Federal manteve a decisão em que um terço da jornada de trabalho dos professores será de atividades extraclasses, como planejamento de aulas, correção de provas, etc.
O que fez a Secretaria da Educação para solucionar esse problema? Haja vista que não havia professores antes, imagine agora?
Eles juntaram turmas, ou seja, de três turmas, eles fizeram duas. Resultado: Salas cada vez mais lotadas!
Na cabeça oca dos dirigentes de ensino, essa decisão minimizará o impacto da falta de professores e terá algumas escolas, em que terá um professor a mais para por em sala de aula.
Só que eles esquecem que se a educação já é tão estressante para o professor com uma sala de 45 alunos, imagine com uns 60? Os professores só perdem em nível de estresse para os carcereiros!
Quem ficará? Quem aguentará tamanha pressão? Com certeza não será ninguém da Secretaria de Educação! Muitos professores abandonarão o magistério e se houver algum auxiliar, esse não sentirá o mínimo de vontade de se tornar um professor.
Essa proposta não saíra do papel (lembre-se toda regra tem a sua exceção), mas supondo que sairá, ela será semelhante a "Escolinha do Serra", em que muitos professores passaram no concurso, fizeram o curso, ou melhor, acessaram o site, minimizaram a tela e após a conclusão desse, não assumiram as aulas. E tome dinheiro público jogado fora!
Por isso, eu não sei se choro com essa declaração!


         Se o nobre governador quiser resolver o problema da educação, ele tem que parar de ter ideias delirantes e encarar o problema de frente. Eu vou dar alguns conselhos simples, esses resolverão 99% das mazelas educacionais.
Primeiro: Pague um salário digno aos professores, compatível com sua função e responsabilidade. Se isso ocorrer, muitos professores que abandonaram o magistério voltaram para a sala de aula e novos surgirão aos montes.
Segundo: Diminua o número de alunos por sala de aula. Assim, os professores terão condições de atender melhor os problemas individuais.
Terceiro: Ofereça condições melhores de trabalho, tais como a melhora na infraestrutura das escolas e um trabalho efetivo contra a violência que ronda as escolas.
Agora, se ele não fizer isso e quiser ser um fanfarão. Ao menos, ele deve se ater ao que diz um comediante de verdade...