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quinta-feira, 3 de maio de 2012

O fim da hegemonia do Barcelona. E a grande mídia brasileira (PIG)


Wilson Horvath

O futebol, a grande paixão nacional, pode até ser entendido como uma das formas de alienação, pois nos 90 minutos que estamos vidrados nele, esquecemos por alguns instantes de nossa realidade sociopolítica e de nossas preocupações diárias, tais como: o valor do pãozinho; a prestação que vai vencer; a escola das crianças; a briga com a sogra etc.
O ser humano, porém, não aguenta ficar ligado nas problemáticas cotidianas 24 horas por dia e 30 dias por mês; às vezes, é preciso fazer uma pausa para relaxar. E essa parada é positiva até mesmo para aqueles que participam efetivamente e de forma ética da vida política.
Karl Marx já dizia que as atividades de lazer fazem parte das necessidades básicas do ser humano. Não há nada de errado em alienarmos um pouco. E não é só o futebol tem esse papel, há outras maneiras, por exemplo: uma boa conversa com os amigos; uma batuca nos finais de semana; e, a melhor forma de todas, que é um sexo bem gostoso... E quem não se dá ao direito de se divertir, provavelmente tem um parafuso a solto e, em breve, poderá surtar, isto é, se já não estiver.
O futebol, como tudo o que há, traz consigo alguns erros. Nós podemos mencionar: o salário exorbitante de alguns jogadores; os cartolas, esses que lucram mais que os jogadores; e os fanáticos, que matam e morrem em nome de um time. Porém, o problema não está no futebol, mas nesses erros. E o fanático não é alguém que se deixa alienar por alguns instantes, ele é um doente aficionado, que ao invés de viver a sua vida e permitir que dentro dela haja o futebol, torna o seu time a sua vida ou, melhor, sua morte!
O maior problema do futebol talvez seja a forma como a grande mídia, em especial o PIG (Partido da Impressa Golpista), dele se apropria. Essa mídia usa do futebol para esconder os problemas, quando isso lhe é favorável, como o ocorrido em 1970, em que o país vivia uma enorme recessão econômica e opressão contra os direitos e a vida humana em função da ditadura militar vigente; os capachos do PIG manipularam e desviaram o foco da maioria da população destes problemas para a vitória do Brasil na Copa do Mundo, daquele ano.
Hoje, a história é diferente. Não é!? Nós somos a economia mundial; as empresas estão à caça de trabalhadores, diferentemente de dez anos atrás, em que 25% da população estavam desempregados; pessoas, que não conseguiam nem terminar o ensino fundamental, estão recebendo o diploma universitário; os índios, que ao longo dos últimos 512 anos, tiveram suas terras roubadas, estão tendo suas terras demarcadas...
O Brasil está melhorando... É claro, é claro! Ainda falta muito para melhorar. Mas se não estivermos no caminho, ao menos, nós estamos chegando a ele, o que nunca fizemos antes. E por falar de antes (antes significa há 10 anos ou há uma década). Antes, a maioria da população não tinha TV em cores (alguém se lembra da TV em preto e branco?) para ver os jogos e uma boa parte dos brasileiros nem luz elétrica tinha, sendo obrigada a acompanhar os jogos no velho radinho de pilha.
O avanço social do país deixa a velha elite brasileira mordendo de raiva, pois ela se acostumou a lucrar com o país em crise e em resseção, por isso ela não sabe atuar com um país, em que a maioria da população está em boas condições econômicas, pois nunca na história fez o contrário. Se a situação das pessoas está ruim, a elite pode explorar melhor os trabalhadores, pagar um salário irrisório e lucrar em cima do trabalho alheio.
E faz parte da elite, os donos da grande mídia brasileira. O PIG não tem o interesse em divulgar o crescimento econômico do país associado a uma melhora na vida das pessoas, ao contrário, o PIG é doentiamente aficionado em mostrar o que há de pior em nosso país, menos eles próprios. É obvio!
Eles não querem que o brasileiro se sinta membro de um grande país e com potencial de mais crescimento. Mas querem que o brasileiro se sinta pertencente ao pior dos países, pois eles têm esperança que um dia conseguirão retornar ao poder e fazer tudo voltar como antes. Assim, se o povo não tiver amor à pátria, ficará mais fácil, reestabelecer a velha dominação e exploração.
A velha elite explorou o país e os brasileiros, ao longo da história, com outra nação dominando o Brasil, a começar pela coroa portuguesa, passando pela britânica e por fim neocolonização estadunidense. A lógica da elite é: se outro país explora o Brasil, ela (a velha elite) conseguirá comer pelas beiradas. Assim, para os membros da elite é prejudicial que o Brasil seja independente de verdade.
A mídia, então, tem o papel, além de menosprezar o Brasil, elevar os outros países. Basta ver o tanto que bajulam os países europeus; as propostas frustradas para sair da crise econômicados políticos europeus são mostradas como exemplos para o nosso país seguir. Todos os dias, há uma matéria sobre o processo eleitoral estadunidense, que nem começou de fato, o Partido Republicano ainda está decidindo quem será o seu candidato.
A grande mídia brasileira usou o bom desempenho que o Barcelona, time catalão, apresentou até esse mês para esse fim. Havia, por parte do PIG, um processo de endeusamento. O Barcelona não era apresentado com um excelente time de futebol, mas como um plantel de titãs, de deuses olímpicos.
Na final do Mundial de Clubes de 2011, em que Santos e Barcelona disputaram a final, era visível a torcida dos narradores e comentaristas, capachos do PIG, faziam para o time espanhol. No domingo seguinte ao jogo, a emissora chefe do PIG dedicou uma manhã inteira mais parte de sua programação para falar do time catalão. Dentre as matérias, uma das repórteres estranhou o fato de não ter ocorrido uma comemoração na cidade de Barcelona, conforme eles estavam fazendo. Talvez, eles não comemoraram como a emissora esperava, pois a Espanha está com um taxa de desemprego de 25%. E depois do momento de descontração promovido pelo espetáculo futebolístico, eles voltaram a se preocupar com dura realidade econômica que estão enfrentando.
Eu infelizmente não pude ver o Santos de Pelé ser bicampeão mundial nem me lembro das conquista do Grêmio, em 1983 e do Flamengo, em 1981, pois eu era muito criança. Mas vi o São Paulo ser três vezes campeão mundial, e uma vez o Internacional. E nestas últimas quatro vitórias de times brasileiros, a comemoração e homenagem dos capachos do PIG nem de longe chegou ao que fizeram com a vitória do Barcelona.
O Barcelona foi o melhor time do ano passado (2011), isso é fato! Mas a sua hegemonia não é eterna. Acabou! Pode ser que ele volte, mas pode ser que não. Outros times assumirão a hegemonia e perderam essa. Isso é o que deixa o futebol, um esporte tão emocionante.
O problema não é o Barcelona ou qualquer outro time estrangeiro, mas como a grande mídia brasileira fez com sua imagem. O PIG usou o Barcelona para transmitir a seguinte mensagem: o Brasil é incapaz! Nem no futebol, nós poderemos ser os melhores. O Brasil está fadado ao fracasso!
Se você acha isso um exagero, basta ligar a TV (digital e em plasma) em qualquer noticiário do PIG. E veja como eles falam do Brasil e dos outros países. Tudo de fora é, para eles, melhor e daqui é pior. Mesmo que isso não seja verdade!
E se eles noticiam qualquer melhoria do país, logo após, aparece um monte de urubus dizendo que o modo que o Brasil está crescendo não é o correto, blá-blá-blá!
Para o azar deles, suas previsões estão dando errado. E o Brasil e os brasileiros estão mostrando serem imunes a olho gordo, pois nosso corpo está fechado às suas pragas.
Eles, porém, não se dão por vencidos. Eles continuarão a praguejar. E vamos ver agora qual será o time que eles usarão para mostrar para nós, brasileiros que é melhor que os nossos. Isso é, se um time brasileiro não for o melhor! Vamos lá Corinthians...