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domingo, 24 de junho de 2012

Diferença entre o pensamento filosófico da Ciência e da Religião


Wilson Horvath

É muito difícil diferenciar filosofia de ciência e religião, haja vista, que essa divisão é exclusivamente moderna e esses três conhecimentos eram, em outros períodos, concebidos de forma unificada. Logo a diferenciação que apresentaremos é apenas didática.
O filósofo pretende compreender a realidade que o cerca, logo ele busca a sabedoria e o conhecimento. Só que ele não é o único a buscar o conhecimento, outras pessoas também o fazem. O cientista pretender conhecer as forças que regem a natureza ou a sociedade. E o teólogo busca o entendimento sobre Deus, se não, ao menos, a maneira como Ele se revela e como as pessoas perceberam a revelação divina, ao longo da história.
E ambas as formas de conhecimento, ciência e religião apresenta questionamentos que as fazem evoluir na história. Por exemplo, determinados remédios são tidos, em determinada época, pela comunidade científica, como benéficos a saúde. Porém alguns cientistas questionam a validade desses medicamentos e depois de se perguntarem, eles iniciam uma pesquisa científica e provam a invalidade ou, até mesmo, que estes remédios são nocivos à saúde.
O mesmo ocorre com a religião, se pegarmos Jesus, como exemplo, veremos que ele questionou vários pontos da religião de sua época. Ele curava nos sábados, tocava em leprosos, amava os inimigos, andava com pessoas consideradas impuras, tais como: os cobradores de impostos, samaritanos, mulheres “mal faladas”. E Jesus, por alguns, era considerado um beberão e comilão, haja vista que ele estava sempre presente em festas.
Então quais seriam as diferenças entre a Filosofia da Ciência e da Religião, se essas duas formas de conhecimentos apresentam questionamentos e buscam a verdade?
Para fins exclusivamente didáticos, nós podemos dizer, que a diferença entre a Filosofia e a Ciência é que a ciência busca o correto conhecimento do funcionamento da natureza ou da sociedade, não há juízo de valor para o conhecimento científico, o que lhe interessa é o conhecimento pleno da realidade. Já a filosofia fará o juízo de valor, ou seja, ela questionará se aquele determinado conhecimento científico é bom ou não para a humanidade.
Por exemplo, o cientista descobre uma droga que é eficaz para deixar as pessoas alegres. Assim, ele estudará e apresentará os efeitos dela no cérebro humano, seus efeitos colaterais, entre outros. E o filósofo perguntará se esta droga contribui ou não para a felicidade humana, se a felicidade consiste em ser alegre; se o sujeito alegre, por 24 horas, poderá ser pleno.
E a diferença entre a Filosofia e a Religião é que a religião pressupõe um Deus ou vários deuses e ação humana se dá pautada na relação entre o ser humano e o divino. O filósofo, por sua vez, pautará a sua reflexão e ação em sua razão, essa que pode ou não coincidir com o divino, e se coincidir será depois de ter realizado a reflexão racional e não antes. O filósofo também pode questionar sobre a existência de Deus e chegar à conclusão de sua não existência.
É importante ressaltar que não é uma atitude filosófica afirmar ou negar a existência do divino, mesmo que um filósofo o faça. Se houver um fechamento desta questão, como de qualquer outra, ela deixa de ser filosofia e passa a ser teologia, positiva ou negativa.