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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Temer vai cair?

Prof. Wilson Horvath

Neste breve ensaio futurológico, atrevo a fazer algumas previsões sobre o destino do governo golpista a partir da leitura do cenário atual. Estas tentativas de adivinhações não são deterministas, nem conclusivas; longe disso, elas podem mudar a qualquer instante.
Vivemos em constante transformação, algo que possa parecer certo hoje, amanhã, melhor antes mesmo que eu termine esse texto ou que você o leia, está sujeito a perder toda a sua consistência; tal como afirmou o filósofo grego Heráclito há mais de 2500 anos: “Nada é permanente, senão a própria mudança”; “Tudo flui. Tudo está em movimento e nada dura para sempre”!

Resposta à pergunta: Temer vai “cair”?

Infelizmente, minha presunção é que NÃO!
Contrariando as projeções de pessoas muito melhores intelectualmente do que eu e os anseios hegemônicos à esquerda e de alguns setores progressistas à direita, que dizem “ter acabado o governo dele”, que “é certeira a sua saída”.
Não é provável que o “Traíra” seja deposto! Ao menos, não por ora.
Como disse: INFELIZMENTE!
E faço esta conjectura sem a pretensão de estar certo, ao contrário, desejo estar inteiramente errado e desmentido o mais rápido possível!

Os porquês dessa percepção

As manifestações populares contra o governo ilegítimo são poucas e esporádicas, tivemos a Greve Geral em 28 de abril de 2017; alguns eventos no dia 01 de maio, Dia do Trabalhador; a manifestação contra as reformas trabalhistas e previdenciárias em Brasília no dia 24; uma manifestação em Copacabana, chamada por artistas, no dia 28 do mesmo mês e outra no Largo da Batata no domingo, dia 04 de junho; algumas pequenas manifestações espalhadas pelo país. E uma chamada para outra Greve Geral somente para o final do mês de junho, dia 30, dois meses depois da primeira.
Esses poucos eventos são insuficientes! Façamos um paralelo, analisando tanto a quantidade como a intensidade, com os que foram contra a Presidenta Dilma ou com os que conseguiram derrubar a Ditadura Militar.
Movimentos tradicionais progressistas, em sua maioria, se institucionalizaram, o que os tornaram excessivamente burocráticos e lentos para a ação. A esquerda partidária está fragmentada e não consegue mais fazer uma opção de fato. E ambos não sabem mais dialogar com a população, em especial com a juventude.
E há uma grande acomodação da população, e ou uma alienação total sobre os efeitos que as reformas propostas por Temer trarão para a vida do trabalhador ou até mesmo uma aceitação dessas medidas, haja vista que elas são propagadas pela grande mídia como benéficas.
E a concepção de que o seu governo está no fim reforça essa acomodação! O que o ajuda a se manter no poder!

As forças políticas e econômicas

M. T. (alcunha de Michel Temer na lista da Odebrecht) não tem apoio popular e possui uma enorme rejeição popular, mas isso não basta para tirá-lo do poder.
Ele tem o apoio da grande burguesia (nacional e internacional) que financiou o golpe e o empossou. E o presidente da “próclise, mesóclise, ênclise” segue à risca as determinações neoliberais, basta ver, além das reformas propostas contra a classe trabalhadora, estão: o perdão das dívidas bilionárias dos bancos e das grandes empresas, a entrega do patrimônio nacional para a burguesia, em especial à internacional.
A maioria do congresso está “amarada”, “no mesmo barco”, em especial quem pode abrir o processo de Impeachment. E o Judiciário, salvo raras exceções, está acovardado e conveniente – Será que alguém com o mínimo de conhecimento em política chegou a acreditar que o TSE, presidido por Gilmar Mendes, cassaria  Temer? E mesmo que o cassasse, caberia a ele recurso no STF.
A grande mídia, embora apresente fatos de corrupção envolvendo M. T., nem de longe está fazendo uma oposição de fato, como fez e continua a fazer contra os presidentes petistas Lula e Dilma. As manchetes passadas pela mídia golpista servem mais para desinformar e entreter do que para conscientizar, como sempre fizeram ao longo da história.

É preciso lutar

Retomando o pensamento de Heráclito, temos que: “A guerra [a luta] é mãe e rainha de todas as coisas; alguns transforma em deuses, outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres”.
Vivemos em uma eterna guerra de forças opostas, de Tese X Antítese, elas se chocam, se contradizem em alguns momentos; em outros se convergem em uma mesma direção; em ambos os casos geram Sínteses que entram nesse jogo dialético de luta, que tendem ao infinito.
Assim, se quisermos depor o Traíra e, o mais importante, modificar a mentalidade governamental, que se impôs após o golpe, e está deixando o Brasil nos trilhos do “anti-desenvolvimento”, totalmente contra o povo, pois Temer pode até cair, mas se o desmonte do Estado persistir, de nada adianta a sua saída, ao contrário, pode ser até pior – se existir algo pior que seu governo.
Devemos deixar a posição de espectadores, de passivos, de pessoas “a espera de um milagre”. E assumirmos as rédeas de nossa história, devemos ir às ruas, sempre e de fora contínua e sistemática. Precisamos conscientizar o máximo de pessoas; buscar soluções institucionais e, principalmente, populares! Devemos ir além do que está sendo feito.
Caso não, passaremos os próximos dois anos xingando, amaldiçoando o presidente golpista, assistindo da poltrona de casa ou à mesa do boteco ele destruir o país e os poucos direitos dos trabalhadores.
Encerro este textículo, após deixar uma garrafa de champanhe guardada na despensa a fim de que seja aberta no dia em que Temer sair da presidência; e quiçá seja conduzindo à papuda para pagar pelos erros cometidos. Mas com o pressentimento de que o champanhe ficará um bom tempo envelhecendo.

Observação: Não escrevi este texto para desanimar; ao contrário, o redigi para nos animarmos em nossa militância em prol de um país melhor, a partir de uma leitura realista!