Pesquisar neste blog

terça-feira, 15 de junho de 2010

Paradigma Moderno

Paradigma é, para Morin: “princípios 'supralógicos' de organização do pensamento (...) ocultos que governam nossa visão das coisas e do mundo sem que tenhamos consciência disso” (2006, p. 10). Assim, é por meio dele que conseguimos ver e aprender o mundo, mas, ele igualmente esconde e nos cega para outros aspectos que fogem de seus limites epistemológicos. O paradigma pode ser concebido, ao mesmo tempo, conforme o sentido idealista ou materialista:

O sentido idealista faz do paradigma a ideia mestra que comanda em sua toda a organização social, a qual seria como um produto das forças organizadoras do espírito; o sentido materialista faz do paradigma a expressão ou resultado em termos simbólicos e ideias das realidades sociais materiais que são as relações entre as forças produtivas (Idem, 1997, p. 40).

O paradigma, oculto, não existe virtualmente em um lugar, ele só existe ao se manifestar concretamente em nossa existência humana. Assim, como ele está oculto, o percebemos ao depararmos com os problemas oriundos dele. Os modernos se depararam com as falhas do paradigma medieval, ao surgir uma nova classe social que exigia uma nova forma de pensar: A burguesia. Dessa forma, percebemos o paradigma moderno e sua falhas, ao depararmos com os problemas, que aparecem com maior intensidade no século XX. Este paradigma consiste:

(…) “grande paradigma do Ocidente”,formulado por Descartes e imposto pelo desdobramento da história européia a partir do século XVII. O paradigma cartesiano separa o sujeito e o objeto, cada qual na esfera própria: a filosofia e a pesquisa reflexiva, de um lado, a ciência e a pesquisa objetiva, de outro. Esta dissociação atravessa o universo de um extremo ao outro:
Sujeito/Objeto
Alma/Corpo
Espírito/Matéria
Qualidade/Quantidade
Finalidade/Causalidade
Sentimento/Razão
Liberdade/Determinismo
Existência/Essência (MORIN, 2000, p. 26).

O paradigma moderno fragmenta o conhecimento, e ao fragmenta-lo, cinde a nossa capacidade de compreensão da realidade, desde o próprio humano a natureza, incluindo nossas interações reais, formulações teóricas e propostas utópicas. Além, deste aspecto fragmentário, este paradigma está inscrito dentro de uma lógica determinista, derivado da Física Mecânica, em que: uma causa produz necessariamente uma consequência, dentro de uma ordem pré-estabelecida.
Assim para solucionar os problemas, precisamos, antes de superar o paradigma atual, precisamos de um novo paradigma, em que, conceba o ser humano e a natureza em sua totalidade, sem sobrepor o todo as partes nem as partes ao todo; que rompa com a lógica determinista e linear; que perceba o fenômeno, ao mesmo tempo, complementar/concorrente/antagônica; e religue o sujeito pensante (ego cogitans) e a coisa entendida (res extensa). Se assim não for, cairemos novamente nos erros clássicos da modernidade que propôs a salvação ora pela promessa da ciência, esta que foi desmentida pelas bombas de Hiroshima e Nagasaki, pela destruição do meio-ambiente, pela má qualidade de vida da população; ora pela promessa econômica, que também fora desmentida pelas suas duas vertentes: o fim do socialismo real e a falência do capitalismo, que gera, a cada ano, um numero maior de vitimas.

Bibliografia

MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Tradução: Eliane Lisboa. Porto Alegre: Sulina, 2006.

_____________. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Tradução: Catarina Eleonora F. da Silva, Jeanne Sawaya. 2ª. Edição. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000.

_____________.em: MORIN, Edgar; NAÏR, Sami. Uma Política de Civilização. Tradução: Armando Pereira da Silva. Coleção: Economia e Política. Lisboa – Pt: Instituto Piaget, 1997.