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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Operadores da Complexidade 3: Princípio dialógico

Marcos Antônio Lorieri

Princípio dialógico é o princípio que afirma que, na realidade, há forças opostas ou contrárias sempre atuando e que são, por necessidade de funcionamento do real, ao mesmo tempo, complementares. Lutam entre si e, nessa luta mantêm a realidade funcionando. Trata-se da dialógica que para Morin é a “unidade complexa entre duas lógicas, entidades ou instâncias complementares, concorrentes e antagônicas que se alimentam uma da outra, se completam, mas também se opõem e combatem.” (MORIN, 2005, p. 300).
É um princípio que afirma existir a associação de noções antagônicas, a união de algo com o que aparentemente deveria repelir que remete à fórmula de Heráclito, concebendo uma relação dialética da existência na relação constante e indissociável entre ordem, desordem e organização. Morin exemplifica mostrando que, na organização viva isso ocorre quando se constata que para ela se manter é necessário que haja o encontro antagônico e complementar de dois tipos de proteínas; um que tende à estabilidade e que garante a reprodução; outro que tende à destruição e à modificação constante das células. Ambas são necessárias à vida, assim como a tensão de oposição entre elas que garante o movimento do viver. Outro exemplo é o dos conflitos entre gerações, por exemplo, entre pais e filhos e, ao mesmo tempo a necessidade de entendimentos entre eles. É nessa tensão que todos se constituem. Outro exemplo, nas suas palavras: “O que digo a respeito da ordem e da desordem pode ser concebido em termos dialógicos. A ordem e a desordem são dois inimigos: um suprime o outro, mas ao mesmo tempo, em certos casos, eles colaboram e produzem organização e complexidade.” (MORIN, 1990, p. 107). Produzem a complexidade, isto é, produzem a realidade que é este conjunto tecido junto, multidimensional e em processo. E Morin complementa: “O princípio dialógico permite-nos manter a dualidade no seio da unidade. Associa dos termos ao mesmo tempo complementares e antagônicos.” (Idem, p. 107) Este princípio permite-nos compreender a dualidade e ao mesmo tempo as dualidades do ser humano. Um ser que é, ao mesmo tempo, racional e afetivo, por exemplo, e é na conjunção desses dois pólos diversos, antagônicos e complementares que todo ser humano é um ser humano. Sua organização depende da ordem (razão) e da desordem (afetividade) para ser ele mesmo. Assim ocorre na constituição da subjetividade humana. Há ela contrários sempre em luta e ao mesmo tempo compondo-se para que a subjetividade exista.
O movimento dialético se dá entre tese e antítese. Os contrários estão aí. A síntese é a superação da contradição. Uma vez estabelecida como superação, a síntese torna-se uma nova tese que, pelo movimento dialético da história, se deparará com uma nova antítese; daí os novos conflitos ou novas lutas de contrários; esta luta se resolverá pela superação na nova síntese. Haverá um final nesse movimento? Uma das leituras do materialismo histórico e dialético afirma que sim: seria a solução final dos conflitos numa superação também final que seria o paraíso socialista. Morin parte, me parece, dessa leitura para propor a dialógica ao invés da dialética. Na sua dialógica não haveria a superação final Haveria sempre a luta dos contrários, pois, é o movimento desencadeado por esta luta que mantém qualquer existente. A realidade complexa de Morin é uma realidade, por necessidade, conflituosa. O movimento conflituoso, dialógico, é o que faz tudo, inclusive a vida.



Referências

MORIN, Edgar. O Método 3: o conhecimento do conhecimento. Trad. Juremir Machado da Silva. 2ª. ed. Porto Alegre: Sulina, 1999
___________ O Método 6: Ética. Trad. Juremir M. da Silva. Porto Alegre: Sulina, 2005.



Obs.: Não deixe de ler o texto: Da necessidade de um pensamento complexo de Edgar Morin. Esse texto traz de forma sintética os principais fundamentos do Pensamento Complexo.


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