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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Operadores da Complexidade 2: Princípio Recursivo

Marcos Antônio Lorieri

Princípio Recursivo. Nas palavras de Morin, “um processo recursivo é um processo em que os produtos e os efeitos são, ao mesmo tempo, causas e produtores daquilo que os produziu.” (1990, p. 108) Afirmar o princípio recursivo é afirmar que na realidade há processos nos quais efeitos podem ser causadores de suas causas. Ou seja, é negar o determinismo linear. Os efeitos são causados, mas eles são também causas daquilo que os produz numa circularidade recursiva. 
Um exemplo pode ser visto na produção da sociedade. As interações dos indivíduos, diz Morin, produzem a sociedade. Mas a sociedade, por seu turno, produz os indivíduos marcando-os com certas características daquela sociedade. O indivíduo se realiza conforme um “anel de produção mútua indivíduo/sociedade no qual as interações entre indivíduos produzem a sociedade; esta constitui um todo organizador, cujas qualidades emergentes retroagem sobre os indivíduos incorporando-os.” (MORIN, 2005b, p.167). 
Os indivíduos produzem as sociedades nas interações e estas, à medida que surgem, produzem a humanidade desses indivíduos, provendo-lhes a cultura e a linguagem, diz ainda Morin. Para ele (1990), “Se não houvesse uma sociedade e a sua cultura, uma linguagem, um saber adquirido, não seríamos indivíduos humanos.” (p. 108). Esse princípio rompe com a idéia linear de causa e efeito, uma vez que o efeito retorna sobre a causa em um ciclo auto-organizador e produtor. Assim é com a subjetividade humana: ela é, de certa forma, resultado de condições sociais, culturais e biológicas. Mas, ao se constituir, a subjetividade de cada pessoa retroage sobre a sociedade, sobre a cultura e até sobre a maneira de ser biológico.




Obs.: Não deixe de ler o texto: Da necessidade de um pensamento complexo de Edgar Morin.
Esse texto traz de forma sintética os principais fundamentos do Pensamento Complexo.